Chikungunya preocupa a Saúde no Estado de São Paulo

Campinas teve a confirmação de seis casos importados de chikungunya, em 2016, e 17 continuam em investigaçãoaedes_albopictus_
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Campinas teve a confirmação de seis casos importados de chikungunya, em 2016, e 17 continuam em investigação
Além da preocupação com a reintrodução do ciclo urbano da febre amarela, pelo mosquito Aedes aegypti, o Estado de São Paulo convive com o risco de uma explosão de casos da febre chikungunya em 2017. Nos dois últimos anos, a doença se multiplicou pelo País, passando de 38.499 casos notificados em 2015 para 265.554 em 2016. O número de mortes confirmadas também saltou de 14 para 159 no mesmo período, segundo o Ministério da Saúde. Em São Paulo, em 2015, a Secretaria de Saúde trabalhava com 189 casos importados. O balanço de 2016 divulgado esta semana dá conta de 1.084 entre importados e autóctones (adquiridos nos municípios do Estado). E já há registro de um caso autóctone no Estado este ano.
Campinas teve a confirmação de seis casos importados de chikungunya, em 2016, e 17 continuam em investigação. Em 2014 e 2015 foram confirmados respectivamente quatro e dois casos importados da doença, mas segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não houve confirmação de autoctonia entre moradores. Coordenadora do programa de arboviroses da Secretaria de Saúde de Campinas, Andrea von Zuben diz que a chikungunya preocupa e que há um risco de início do ciclo de transmissão do vírus na cidade este ano.
Em novembro passado, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, chegou a dizer que o governo prevê um “aumento significativo de casos de infecção pelo vírus Chikungunya no Brasil em 2017”. Andrea explica que a preocupação do ministro tem fundamento por uma série de motivos. O primeiro deles é o ciclo de transmissão da doença, que é mais rápido. Segundo ela, a chikungunya preocupa porque tem a diferença de ser uma doença explosiva, com surtos muito rápidos. “Enquanto na dengue e na zika o mosquito passa a transmitir oito dias depois de picar uma pessoa com a doença, na chikungunya o mosquito já passa a transmitir dois dias depois de picar uma pessoa. Isso faz com que seja uma doença com tendência explosiva.”
A preocupação do ministro, segundo Andrea, é porque vivemos em um mundo globalizado, onde as pessoas circulam muito. E porque o vírus não está só no mosquito, está dentro das pessoas, que circulam podendo levar o ciclo de transmissão. “Temos Aedes aegypti em Campinas. Temos uma cidade com muito deslocamento de pessoas que vem para estudar, para trabalhar. Então, pode acontecer de chegar pessoas que contraíram o vírus em um determinado local de transmissão e iniciar um ciclo de transmissão na cidade. É uma preocupação e estamos muito atentos. Fizemos toda uma preparação dos médicos, principalmente aqueles que atendem pacientes com dores e febre alta.”
Além de preparar os profissionais, ela afirma que o município adquiriu analgésicos corretos para manejo da dor.
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Região
Outras cidades da Região Metropolitana estão atentas ao problema. Segundo a Secretaria de Saúde de Sumaré, em todo o ano passado, foram cinco casos confirmados de chikungunya (todos importados) e um caso ainda está sendo investigado. Nova Odessa e Indaiatuba registraram, cada uma, um caso importado de chikungunya em 2016.
Os principais sintomas são febre alta de início rápido, dores intensas nas articulações dos pés e mãos, além de dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer ainda dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele. “A principal característica da chikungunya são as dores nas articulações. São dores muito fortes e intensas, podendo ser incapacitantes. Essas dores intensas estão presentes em 90% dos casos”, completa Andrea. Ela acrescenta que a principal saída ainda é o combate ao Aedes aegypti. A medida vale para dengue, zika, chikungunya e para a febre Amarela. “Temos que nos convencer de que é inaceitável ter o mosquito em casa.”
Outras doenças
Duas mortes autóctones por febre amarela silvestre foram confirmadas no Estado, no município de Batatais e Américo Brasiliense. Há ainda quatro mortes confirmadas que são importadas, ou seja, as infecções ocorreram fora do Estado, todas em Minas Gerais (com notificações em Santana do Parnaíba, dois na Capital e um em Paulínia). Não há nenhum caso de zika registrado em 2017; no último ano, foram confirmados 4.086 casos da doença. As mortes por dengue passaram de 488, em 2015, para 97 no ano passado. Em Campinas, segundo a Secretaria de Saúde, foram confirmados 3.405 casos de dengue no ano passado. Já os casos de zika em Campinas foram 516.

Fonte Correio Popular/ Publicado 31/01/2017 – 21h47 – Atualizado 31/01/2017 – 21h48

Por Inaê Miranda/31.01/2017

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