Nova TAP anuncia que vai reforçar hub de Campinas

Neeleman é oficialmente dono da TAP: empresário assinou com governo português contrato que garante a ele 61% da empresa

Foto: Cedoc/RAC
Neeleman é oficialmente dono da TAP: empresário assinou com governo português contrato que garante a ele 61% da empresa
Os diretores do consórcio Gateway, encabeçado pelo empresário David Neeleman, assinaram na quarta-feira (24) com o governo de Portugal a compra de 61% da companhia aérea portuguesa TAP.

O criador da Azul Linhas Aéreas Brasileiros afirmou que irá reforçar a quantidade de voos da empresa portuguesa no Aeroporto Internacional de Viracopos. Atualmente, a companhia tem três frequências semanais entre Campinas e Lisboa, capital do país europeu.

Os novos gestores irão injetar entre 600 milhões e 800 milhões de euros na companhia nos próximos anos. Neeleman afirmou que serão 345 milhões apenas no capital permanente da empresa. Os empreendedores esperam ter lucro já no próximo ano.

“No primeiro momento, serão aplicados 270 milhões de euros. Os valores totais incluem o aumento da frota de aeronaves. A TAP vai ganhar no mínimo mais 53 aviões”, afirmou. Ele salientou que o consórcio irá assumir integralmente o pagamento da dívida da companhia. A estimativa é que os débitos sejam superiores a 1 bilhão de euros.

O consórcio Gateway tem investidores como o empresário português Humberto Pedrosa, do grupo de transporte rodoviário e ferroviário Barraqueiro, e a família campineira Caprioli.

O empresário afirmou em coletiva para a imprensa, em Lisboa, que aposta no crescimento das receitas e na gestão dos custos para alavancar a empresa. Os novos donos da TAP pretendem ampliar as rotas em países como Estados Unidos e Brasil, e também no continente africano.

“O Brasil é um mercado forte para a TAP. Verificamos que 26% dos brasileiros que vem na Europa chegam por Portugal em voos da companhia”, comentou o criador da Azul. Para ele, é possível estabelecer pelo menos mais dez novas rotas da TAP para os Estados Unidos – e os novos donos da companhia já têm uma lista com até oito novos destinos no Brasil.

“Vamos aumentar a quantidade de voos da TAP em Viracopos”, disse. O aeroporto de Campinas é o principal hub (centro de distribuição de voos) da Azul no País. Neeleman frisou que a TAP terá uma grande sinergia com a Azul.

“As duas empresas serão independentes uma da outra, mas terão uma forte sinergia. A Azul tem mais de 900 voos no Brasil e atende pelo menos 100 cidades brasileiras”, afirmou.

Atualmente, a TAP tem code share (compartilhamento) com a Gol no Brasil. “Vamos analisar. Pode ser que em locais onde a Azul não tenha operações, possamos manter o acordo com a Gol. Mas repito que haverá um relacionamento muito forte entre a TAP e a Azul”, reforçou.

O empresário ressaltou que as novas aeronaves que serão compradas para atender a TAP irão ampliar o atendimento dos mercados onde a companhia já tem uma grande presença.

Capacidade

Neeleman afirmou que o plano apresentado pelos novos compradores da TAP prevê um fortalecimento das receitas como um dos fatores que irão alavancar a empresa.
“Falei pessoalmente com os credores da TAP. Todos acreditam que a privatização vai permitir a retomada da companhia”, disse. Ele salientou que já existem instituições interessadas em financiar o plano dos empreendedores.

“Temos bancos interessados no financiamento da compra dos aviões da Airbus”. Ele afirmou que acredita também em um engajamento dos funcionários da TAP em apoiar a nova administração da companhia, que sairá das mãos do governo para o consórcio Gateway.

Os funcionários da companhia aérea chegaram a fazer greve contra a venda da empresa. “Não vamos demitir funcionários”, afirmou Neeleman. “Ao contrário, vamos instituir estratégias de valorização dos trabalhadores da TAP. Sabemos da importância da TAP para a economia de Portugal. A empresa gera 2 bilhões de euros por ano”.

Questionado sobre a citação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no relatório que embasou a escolha do governo português no leilão, ele afirmou que o banco não será acionista no consórcio.

 

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