Você conhece o Teimoso?

Versão ‘pelada” do Gordini foi pioneiro dos carros populares

Carro “popular”, hoje, tem freios com sistema ABS, airbag. Pode ter vidros e travas elétricos e ar-condicionado, entre outros mimos. Também tem nome pomposo, em geral formado pela junção de números e letras. Mas nem sempre foi assim. Em 1965 numa tentativa de tornar o automóvel mais acessível, o governo abriu uma linha de crédito ao consumidor e incentivou as montadoras a lançar carros populares, ou seja, baratos e pelados.

Surgiram então versões espartanas de modelos que já estavam no mercado, como Fusca Pé de Boi, Vemaguet Pracinha, Simca Profissional e o pioneiro Gordini Teimoso, fabricado pela Willys. As fábricas “depenavam” os carros sem dó, para reduzir o preço. Cromados e pintura metálica, nem pensar. Espelho retrovisor e marcador de combustível eram luxo. De rádio, não havia nem o buraco no painel. Com isso, saía 40% mais barato que seus irmãos mais equipados.

O Teimoso que ilustra esse post pertence a um colecionador paulista que concluiu há pouco sua restauração. O exemplar foi fabricado em 1965 e é um carro raro porque, além das poucas unidades produzidas, preserva características originais. Na época – como ainda hoje -, muitos dos consumidores que adquiriam um carro básico por falta de recursos com o tempo mandavam instalar acessórios e equipamentos das versões mais sofisticadas, o que mudava a cara do produto.

No caso do Teimoso, só existiam duas cores, cinza e marrom, ambas sólidas. Os bancos possuíam apenas uma capa recobrindo as ferragens. Rodas, para-choques, maçanetas e moldura dos faróis eram pintados de cinza. Não havia retrovisores externos. As luzes traseiras eram agrupadas em um conjunto sobre a placa.

O painel se resumia a um conjunto com hodômetro e algumas luzes-espia. O porta=luvas não tinha tampa e quase não havia revestimentos internos. O carburador não trazia afogador automático.

Tamanha simplicidade tinha lá suas vantagens. O alívio de cerca de 70 quilos ajudava o trabalho do motor, um quatro cilindros de 853 centímetros cúbicos de cilindrada e 40 hp. E também facilitava o trabalho dos freios, a tambor. O problema é que o consumidor da época não se entusiasmou tanto pelo produto. Com apenas 8.967 unidades produzidas, o Teimoso foi “descontinuado” em 1966.

Fonte: Estadão.

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